Duas Margens

BEM VINDO ÀS DUAS MARGENS

Espero que possamos partilhar a vontade de construir pontes e passagens, certos de que todas a pontes e passagens têm pelo menos 2 entradas e que todas as entradas são também saídas. Às vezes não importa tanto onde entramos e por onde saímos, mas o que no percurso fazemos juntos.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

InCAs

Em Outubro o candidato InCA suspendeu o mandato de vereador para que foi eleito.
Deixou-nos, a todos, suspensos. Criou um tabu. (Como sabemos o tabu é, depois de Cavaco a inventar, a figura maior da política contemporânea).
Voltará, talvez, num primaveril dia de nevoeiro.

Quem não criou tabus, não esteve pelos ajustes, não poupou nas palavras, foi o candidato à Assembleia Muncicipal. Na primeira Assembleia (Dezembro 09) o Dr. José Amaral renunciou ao mandato e apresentou aos eleitores, detalhada e publicamente, a exposição dos seus motivos.

Agora, na segunda sessão da Assembleia (ontem, 26 Fev) foi a vez do Coronel Maximino Chaves. Não conheço ainda a ordem das razões invocadas (nem sei se o Coronel as apresentará aos eleitores), mas, não suspendendo nem renunciando ao cargo de deputado municipal, requereu passar a ter o estatuto de independente.
(Figura nova: independente de independente)

Não conheço a justificação do candidato.
Não comento os motivos do Dr. José Amaral.
Não conheço nem comento as razões do Coronel Maximino Chaves.
Não comento nada.
Limito-me a assistir.
Sem surpresa.
Passou um ano.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

"A opinião é livre.
Mas deve ter uma assinatura."

Miguel Sousa Tavares

A CRISE

Habituámo-nos à ideia de que há crises. Vêm, fazem estragos, passam e retomamos a normalidade. Como se costuma dizer “incha, desincha e passa”
Habituámo-nos à ideia de que o mundo é ocidental. Que o Ocidente construíu, mantém e manterá uma hegemonia global.
Desde há 500 anos que a Europa (Portugal, Espanha, França, Itália, Inglaterra, Holanda) construiu, participou e dominou o comércio global. A Europa estabeleceu, ganhou e manteve o controlo da guerra pela riqueza global. Chegou a todo o lado, destruiu exércitos e economias, dominou, estabeleceu os termos de uma economia global, desenvolveu um complexo tecno-científico-económico-militar que lhe assegurou a hegemonia e o crescimento, criou um modo de vida. Prosperou. Enriqueceu.
O século XX trouxe consigo o fim dos grandes impérios europeus. E refez os termos da guerra pela riqueza e prosperidade globais.
Outros, outros continentes, descobriram que podiam participar nessa guerra e puseram-se a caminho. Apropriaram-se dos instrumentos com que o Ocidente estabeleceu o seu domínio: a organização do trabalho, a economia de mercado, comércio livre, o conhecimento, a ciência, a tecnologia, os instrumentos da globalização, e usam-nos, intensa e inteligentemente, para estabelecer a sua própria organização e competitividade económicas à escala global.
Primeiro o Japão, depois a Coreia, Taiwan e os chamados Estados Tigre como Singapura, agora os grandes gigantes China e Índia. É já a Ásia/Pacífico a dizer que é o epicentro da economia mundial, a zona sobreaquecida pela energia do trabalho, do investimento, da inovação, da prosperidade, da riqueza.
São 500 anos de hegemonia global da Europa e do Ocidente que caminham para o fim.
Esta é a crise. Não é mais uma crise conjuntural. É o canto do cisne da hegemonia ocidental.
Não é obra de meia dúzia de neo-liberais se nos confrontamos com um ciclo de empobrecimento relativo, com um ciclo de declínio. É obra de muitos milhões de asiáticos que trabalham muito, estudam muito, aprendem muito, investigam muito, investem a uma escala que não imaginamos, de povos fartos de estar no lado mau da vida e que querem fazer tudo o que podem para ser eles a gerir o condomínio global.
A Europa espera, sentada, que a coisa “inche, desinche e passe”.

Pub "A BARCA" 25.02.10

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

A MADEIRA

Solidariedade. De todos, do país, do Estado, da União Europeia.
Como todos assisti incrédulo às imagens da violência que se abateu sobre a Madeira e os madeirenses.
Assisti também a declarações de ambientalistas, dos Verdes e de um deputado do PS da Madeira a dizer que esta catástrofe se deve também ao caos urbanístico etc....
Primeiro: Deve-se à quantidade de água caída durante o inverno, e à neve que depois de caír derrete, e à chuva intensa, especialmente nos últimos dias, particularmente naquele dia ... Como disse o Presidente da Câmara do Funchal, com a quantidade de chuva e o volume de água à solta não havia nada a fazer e ninguém está preparado para isso. É o fenómeno meteorológico de há 100 anos na Madeira...Bem, a não ser que Funchal, ou Ribeira Brava, ou ... não estivessem lá.
Segundo: mesmo que fosse verdade, ou que haja nisso uma parte de verdade (e admito que sim, que há) não é a altura de o vir clamar na praça pública. A altura certa é quando esse caos se provoca, nos casos em que ocorre. Aí é quando é necessário estar atento, aí é quando é preciso dizer as coisas, intervir, contestar.
Dizer este tipo de coisas, nesta altura, soa a oportunismo. Soa a querer tirar dividendos. Nestas alturas há outras coisas a dizer, outras coisas a fazer.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

LIBERDADE DE EXPRESSÃO

O anonimato é giro. Pelos vistos faz bem à "liberdade de expressão". Dá coragem. Promove o nível e a qualidade. Talvez um dia ainda veja algumas pessoas de burka...

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

VAMOS CONJUGAR "FERNANDO NOBRE"

Vi a apresentação da candidatura de Fernando Nobre à Presidência da República.
Confesso: estava expectante mas apreensivo. Gostei. Fiquei muito expectante. Deixei de estar apreensivo. Temos candidato. Genuinidade. Autenticidade. Frescura. Rigor na exposição dos motivos. Claro na apresentação da visão para o exercício do cargo. Afirma a origem: apartidário e vindo da sociedade civil. Mas recusa a demagogia fácil e populista de afrontar os partidos, antes afirma o valor da democracia e o papel os partidos na sua estruturação. Define de modo lapidar o pilar da sua motivação política: a cidadania. Fica a certeza: a cidadania como projeto de vida e não como projecto literário e retórico. A cidadania da intervenção nos problemas e nas comunidades e não a cidadania da salão.
Vamos habituar-nos a conjugar "Fernando Nobre".
Espera-se definição do PS.
Estou expectante.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

PRESIDENCIAIS

Aí está um novo candidato. Fernando Nobre, Presidente da AMI.
Afirma-se apartidária. Afirma-se inspirada nos valores da cidadania. Vamos ver. Para já gostei. É sabido o que penso da candidatua de Manuel Alegre. Vou pois seguir com toda a atenção. Pode ser que seja o candidato de que eu precisava para poder votar. Pode ser o candidato de que o país precisa.
Não conheço Fernando Nobre em particular, creio que como a maior parte de nós.
Fico expectante.